Ano III - 15 de Dezembro de 2018

Saúde, Beleza e Bem-Estar

18/06/2016
Devo me preocupar com meu HDL baixo?

      Nada na cardiologia é tão pantanoso quanto o colesterol HDL. Há muito reconhecido como fator de risco para doença cardiovascular, só recentemente o HDL baixo passou a contar com medicações para seu aumento, que podem chegar até a dobrar seu valor. E no que isso resultou? Nenhum efeito benéfico e muitas dúvidas no meio científico. Apesar de aumentar em muito o HDL, essas medicações não se traduziram em diminuição de risco. E por que isso?

Ao contrário do LDL, o dito colesterol ruim, onde abaixar suas dosagens significa reduções importantes nos riscos de Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral, parece cada vez mais claro que em relação ao HDL não basta aumentar sua dosagem para garantir prevenção de doença. Trata-se de uma molécula com várias funções diferentes e, mais importante do que aumentar seus níveis em exames tradicionais de dosagem de colesterol, precisamos garantir que esse HDL cumpra seu papel como faxineiro das artérias. Em uma pesquisa recente, publicada no Journal of American College of Cardiology, ficou demonstrado, por exemplo, que indivíduos cuja função de faxineiro do HDL estava mais ativa, tinham menor risco de apresentar doença, mesmo na ausência de outros fatores de risco, como LDL elevado e presença de calcificações nas artérias.

Mas e o que isso significa para mim? Essa é uma pergunta que tem sido desafiador responder, mas vou tentar. Primeiro, quando o HDL baixo vem no contexto da chamada síndrome metabólica, ou seja, acompanhado de triglicerídeos elevados e aumento de cintura abdominal, devemos investir na correção desse quadro, através de medidas comportamentais de redução de peso e atividade física, além de medicação quando necessária. Alimentos que aumentem o HDL são sempre bem-vindos, uma vez que, embora seu benefício possa não estar exatamente no aumento do HDL por si só, são excelentes opções de dieta. Cito rapidamente o azeite de oliva, abacate, peixes de águas profundas e castanhas como exemplo. Atividade física também tem essa conotação. Aumenta discretamente o HDL (em torno de 15% num cenário otimista). Mas é capaz de reduzir obesidade abdominal e melhorar o metabolismo como um todo, principalmente de glicose e colesterol. 

E se eu tenho só um HDL baixo? Quando o HDL baixo vem isoladamente, na ausência de outros fatores de risco, como citados acima, ainda carecemos de instrumentos para avaliação de sua relevância e de estratégias farmacológicas para seu ganho de função. O fato é que os mistérios desse ilustre desconhecido ainda precisam ser desvendados e a Medicina caminha nesse sentido, embora muitas vezes em passos irregulares, cheios de idas e vindas. Como dica final fica aquela clássica: tenha bons hábitos de alimentação e mexa-se.


Texto:

Prof. Dr. Otávio Celeste Mangili: Médico pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da unidade clínica de dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP)(2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, Programa Cardiologia no ano de 2012. Professor no curso de Medicina da Unicesumar de Maringa desde 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.

CONSULTÓRIO: Rua Princesa Isabel, 28 - Zona 4 - Maringá, PR. CEP: 87014-090 Fones: 3025-5520 / 3025-5518.

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