Ano IV - 18 de Janeiro de 2019

Saúde, Beleza e Bem-Estar

10/05/2016
Dieta e Doença Cardiovascular – O que todos deveriam saber?

Ao longo da minha formação como médico e de minha vivência como cardiologista, ficou cada vez mais claro para mim que a causa primordial da pouca saúde de meus pacientes era o estilo de vida inadequado, baseado em uma dieta de baixa qualidade e no sedentarismo1. Porém falar de nutrição com qualidade no longo prazo ainda é um desafio tanto para o médico quanto para o paciente, ainda que todo dia nos deparemos com novidades e modismos nesta área. O fato é que, como carecemos de estudos de longo prazo, com o rigor científico necessário para que possamos confiar nos dados produzidos, acabamos reféns desses modismos, que não se sustentam no longo prazo. Daí o fato de muitas vezes a orientação nutricional, tão relevante para nossa saúde, acabar banalizada e virar motivo de piada entre o público leigo.

 A dieta inadequada persiste, tanto no Brasil como mundo afora, intimamente atrelada a baixas condições de saúde e qualidade de vida2. A explosão de obesidade e de alterações metabólicas no nosso meio deixa atônitos tanto os profissionais de saúde da linha de frente quanto os gestores em saúde3. Além disso, nos enche de uma sensação de impotência diante desses fatos, uma vez que hábitos extremamente enraizados em nossa cultura são mais difíceis de ser transformados, especialmente no pequeno espaço de tempo que a maioria de nós tem para o contato com paciente.

Proponho um estilo dietético simples do ponto de vista de execução, baseado num aumento do consumo de frutas e vegetais frescos, peixes marinhos e grãos integrais, além de reduzir açúcar, refrigerantes e sódio (Veja tabela de sugestão de alimentação)4-9. Aliado ao manejo do estresse e aumento na atividade física, poderemos atingir uma saúde mais adequada e maior longevidade livre de doença.

 

 

Alvo

Notas

Coma  Mais

Frutas

3 porções ao dia

Frutas in natura são preferíveis em relação ao suco (este não mais que 1 vez ao dia).

Castanhas, nozes e sementes

4 porções por semana

Varie entre as opções (p.ex. amendoim, amêndoa, cast. Para, nozes, semente girassol, macadamia)

Vegetais e legumes (exceto batata branca)

3 porções ao dia

Minimize legumes ricos em carboidrato simples, especialmente batata.

Grãos integrais

3 porções ao dia

Principamente ricos em fibras.

Peixe marinho

Mais que 2 vezes por semana

salmão, atum , cavala, truta , arenque, sardinha

Derivados de Leite (principalmente iorgurte e queijo magros)

2-3 vezes ao dia

Preferencia para desnatado.

Óleos Vegetais

2-4 vezes ao dia.

Preferencia para mono e poli-insaturados (p.ex. girassol, canola, azeite de oliva)

Coma Menos

Grãos refinados, Açúcar

Não mais que 2 vezes ao dia

Evitar carboitrados de alto índice glicêmico, mesmo que caloria ingerida não seja alta.

Carne processada

Não comer

Inclui bacon, salsicha, salame, linguiça e demais embutidos ricos em nitrosaminas.

Carne vermelha

2-3 vezes por semana

Preferir carne fresca com pouca ou nenhuma gordura aparente.

Gordura Trans

Não comer

Evitar produtos industrializados, feitos com gordura vegetal.

Bebidas adoçadas

Não beber

Evitar sucos adoçados (néctar), refrigerantes, drinks alcoólicos adoçados

Álcool

Até 1 drinque/dia para mulher 2 para homem

Sem evidência clara de diferença entre cerveja e vinho.

 

Sódio

Até 2g dia de sódio, ou seja, 5g de sal.

Evitar alimentos industrializados ricos em sódio.

 *Baseado em uma dieta 2000 kcal/dia. diet. O tamanho das porções deve ser ajustado de acordo com as necessidades de mais ou menos energia.

Modificado de Mozaffarian D. Dietary and policy priorities for cardiovascular disease,diabetes, and obesity: a comprehensive review. Circulation 2016 Jan 8. [Epub ahead of print]

 

Texto:

Prof. Dr. Otávio Celeste Mangili: Médico pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da unidade clínica de dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP)(2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, Programa Cardiologia no ano de 2012. Professor no curso de Medicina da Unicesumar de Maringa desde 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.

CONSULTÓRIO: Rua Princesa Isabel, 28 - Zona 4 - Maringá, PR. CEP: 87014-090 Fones: 3025-5520 / 3025-5518

 

Referencias

 

1.Murray CJ, Atkinson C, Bhalla K, et al. The state of US health, 1990-2010: burden of diseases, injuries, and risk factors. JAMA 2013;310:591-608.

2.Lim SS, Vos T, Flaxman AD, et al. A comparative risk assessment of burden ofdisease and injury attributable to 67 risk factors and risk factor clusters in21 regions, 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of DiseaseStudy 2010. Lancet 2013;380:2224-60.

3.Moza arian D. Chapter 46. Nutrition and Cardiovascular Disease and MetabolicDiseases. In: Mann DL, Zipes DP, Libby P, Bonow RO, eds. Braunwald's HeartDisease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 10th ed. Philadelphia:Elsevier/Saunders; 2014.

4.Artinian NT, Fletcher GF, Moza arian D, et al. Interventions to promotephysical activity and dietary lifestyle changes for cardiovascular risk factorreduction in adults: a scienti c statement from the American Heart Association.Circulation 2010;122:406-41.

5.Moza arian D, Afshin A, Benowitz NL, et al. Population approaches to improvediet, physical activity, and smoking habits: a scienti c statement from theAmerican Heart Association. Circulation 2012;126:1514-63..

6.American College of Cardiology, Press O ce. ACC Brings Health Leaders Togetherto Discuss Prevention of Heart Disease: Two-day Population Health Retreat willinform broad prevention agenda (ACC website). 2015. Disponível em: https://www.acc.org/about-acc/press-releases/2015/07/30/10/28/acc-brings-health-leaders-together-to-discuss-prevention-of-heart-disease. Accessed:9/19/2015.

7.Moza arian D, Ludwig DS. The 2015 US Dietary Guidelines: Lifting the ban ontotal dietary fat. JAMA. 2015;313:2421-2.

8.Moran B. Is Butter Really Back? Clarying the facts on fat (Harvard T.H. ChanSchool of Public Health Magazine website). 2014. Disponível em: http://www.hsph.harvard.edu/magazine-features/is-butter-really-back/. Accessed:5/29/2015.

9.Dietary Guidelines Advisory Committee. Scienti c Report of the 2015 DietaryGuidelines Advisory Committee: Advisory Report to the Secretary of Health andHuman Services and the Secretary of Agriculture (health.gov website). 2015. Disponívelem: http://health.gov/dietaryguidelines/2015-scienti c-report/PDFs/Scienti c-Report-of-the-2015-Dietary-Guidelines-Advisory-Committee.pdf

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